No seu cantinho, aconcheguei Dormi com a sua ausência e com o seu aroma nos algodões. A cada noite rego-te com cristais nos olhos e acordo no seu terno regaço.
Hoje eu sinto a noite calar a sua voz Não quero que suas mãos travem a poesia. Hoje eu desejo sentir além; Que suas mãos sigam o compasso da minha respiração Que suas pernas me entrelacem em acrobacias Que os seus olhos sejam faróis em alto mar E que avistem o outro lado seguro da minha alma. Assim, eu deságuo em desejos Que depois evaporam em meu ventre. Se agora silenciou a tempestade É porque sua voz já não me fala mais de amor.
Se vamos falar de amor, que fiquemos em silêncio. Se vamos falar de saudade, que esqueçamos o tempo. (Jane Amaral)