sexta-feira, 26 de novembro de 2021


Vivo de curvas e de surpresas no fim do túnel;

Vivo de luzes, lamparinas, lampiões;

Sobrevivo à rotina dos amores que vivem à minha sombra;

Vivo da dor cicatrizada pela noite.
(Jane Amaral)


domingo, 9 de outubro de 2016

Era assim

A casa grande,
o taco reluzindo na sala
Na cozinha, malhava o piso
A sinhá pedalando na máquina.
Um corredor de flores rosas
encontrava com as mangueiras no quintal
Chovia forte e o vento sibilava
A sinhá largava o pedal
Uma voz fina me chamava;
Eu fugia do furor do vento
E queria, ao menos, atrasar esse tempo.
    (Jane Amaral)

domingo, 17 de abril de 2016

Lua

Era ela;
amarela, prateada, Cinderela
Era luz;
intensa, fugaz, imensa
Era a lua;
majestosa poesia toda sua.
(Jane Amaral)

sexta-feira, 11 de março de 2016

Minha Belaci

Eu cheguei de mansinho
No seu cantinho, aconcheguei
Dormi com a sua ausência
e com o seu aroma nos algodões.
A cada noite rego-te com cristais nos olhos
e acordo no seu terno regaço. 
(Jane Amaral)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

ASSALTO

ASSALTO
(Fernando Leite)

chegaste como a primeira luz da manhã,
cheirando a esperança,
verde ainda.
não tive tempo de abrir os olhos
em minha defesa,
de me esconder atrás do linho
em flor,
no aparador da janela.
tombei, abatido por manso perfume,
que me envolveu por inteiro
como portentoso e sutil imã.

de novo morri de amor,
na cama desarrumada,
sobre teu colo louçã.

flf

CANÇÃO DA ESPERA

CANÇÃO DA ESPERA
(Fernando Leite) 

vou esperar-te.
não sei do seu tempo,
quantas auroras duram suas horas?
quantos longinquos mundos
duram seus segundos?
sei do tempo do meu coração
que é o tempo da mãe que aguarda o filho
que foi à guerra,
que espera a chuva ansiosa
que fará brotar o milho do ventre da terra.
vou esperar-te como a montanha
espera o vento no fim da tarde.
vou esperar-te,
resignadamente.
mesmo que não venhas. 


FLF

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Crueldade

A dona tristeza não lava a alma nem envaidece
Quando chega ao coração, é cruel: seca e envelhece.