A casa grande,
o taco reluzindo na sala
Na cozinha, malhava o piso
A sinhá pedalando na máquina.
Um corredor de flores rosas
encontrava com as mangueiras no quintal
Chovia forte e o vento sibilava
A sinhá largava o pedal
Uma voz fina me chamava;
Eu fugia do furor do vento
E queria, ao menos, atrasar esse tempo.
(Jane Amaral)
domingo, 9 de outubro de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
Lua
Era ela;
amarela, prateada, Cinderela
Era luz;
intensa, fugaz, imensa
Era a lua;
majestosa poesia toda sua.
amarela, prateada, Cinderela
Era luz;
intensa, fugaz, imensa
Era a lua;
majestosa poesia toda sua.
(Jane Amaral)
sexta-feira, 11 de março de 2016
Minha Belaci
Eu cheguei de mansinho
No seu cantinho, aconcheguei
Dormi com a sua ausência
e com o seu aroma nos algodões.
A cada noite rego-te com cristais nos olhos
e acordo no seu terno regaço.
Dormi com a sua ausência
e com o seu aroma nos algodões.
A cada noite rego-te com cristais nos olhos
e acordo no seu terno regaço.
(Jane Amaral)
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
ASSALTO
ASSALTO
(Fernando Leite)
(Fernando Leite)
chegaste como a primeira luz da manhã,
cheirando a esperança,
verde ainda.
não tive tempo de abrir os olhos
em minha defesa,
de me esconder atrás do linho
em flor,
no aparador da janela.
tombei, abatido por manso perfume,
que me envolveu por inteiro
como portentoso e sutil imã.
de novo morri de amor,
na cama desarrumada,
sobre teu colo louçã.
flf
CANÇÃO DA ESPERA
CANÇÃO DA ESPERA
(Fernando Leite)
vou esperar-te.
não sei do seu tempo,
quantas auroras duram suas horas?
quantos longinquos mundos
duram seus segundos?
sei do tempo do meu coração
que é o tempo da mãe que aguarda o filho
que foi à guerra,
que espera a chuva ansiosa
que fará brotar o milho do ventre da terra.
vou esperar-te como a montanha
espera o vento no fim da tarde.
vou esperar-te,
resignadamente.
mesmo que não venhas.
FLF
segunda-feira, 4 de maio de 2015
domingo, 22 de março de 2015
Ensejo
Hoje eu sinto a noite calar a sua voz
Não quero que suas mãos travem a poesia.
Hoje eu desejo sentir além;
Que suas mãos sigam o compasso da minha respiração
Que suas pernas me entrelacem em acrobacias
Que os seus olhos sejam faróis em alto mar
E que avistem o outro lado seguro da minha alma.
Assim, eu deságuo em desejos
Que depois evaporam em meu ventre.
Se agora silenciou a tempestade
É porque sua voz já não me fala mais de amor.
Não quero que suas mãos travem a poesia.
Hoje eu desejo sentir além;
Que suas mãos sigam o compasso da minha respiração
Que suas pernas me entrelacem em acrobacias
Que os seus olhos sejam faróis em alto mar
E que avistem o outro lado seguro da minha alma.
Assim, eu deságuo em desejos
Que depois evaporam em meu ventre.
Se agora silenciou a tempestade
É porque sua voz já não me fala mais de amor.
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