segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Mundo Perfeito 

Com a ponta dos meus dedos,
desabafo num papel
palavras que a ponta da língua jamais pronunciaria.

Nunca Aprendo  

Não é a idade.
Sou frágil,
Não vivo.
Sobrevivo aos ataques invisíveis
Sobrevivo ao amor, ao descaso, ao silêncio.
O lixeiro nunca carrega a decepção que deixo no portão.
Um dia, eu  levarei ao lixão,
mas sei que, até lá,
vai feder e impregnar o ar. 

domingo, 19 de agosto de 2012

O presente está sendo sutil e paciente comigo. O passado, aos poucos, está entendendo a necessidade da mudança. O futuro? Deixa vir pq ora é presente ora é passado.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O tempo sempre foi fugaz (tempus fugiti), mas a impressão é a de que hoje o tempo possui menos de 24 horas e a Terra está girando cada vez mais rápido. 
Nessa era da informaçao veloz, nada justifica o sumiço da gentileza do nosso cotidiano. Dizemos que não temos tempo para certas coisas, mas o tempo é a gente que administra e nao deve ser o contrário. Passamos horas à frente da TV ou do PC e não tiramos tempo tempo para agradecer um convite ou um favor recebido.
E assim vamos nos tornando mau-humorados, frios, insensíveis... esperamos gentileza das pessoas, mas nao fazemos a nossa parte. 
Expressões como "Muito obrigado", "por favor", "você está fazendo um ótimo trabalho", "bom dia", "boa tarde", "desculpe", estão virando raridade.
Pratiquemos a gentileza, é de graça e as pessoas ao nosso redor nao só agradecerão, como irão retribuir e estaremos formando uma corrente positiva e generosa.


Clinio Amaral

Deixa eu falar:(Clinio Amaral é meu irmão)
Verdade nua e crua, irmão. Eu ando prestando atenção na" ligeireza" do tempo. Vejo tb que as pessoas não pedem mais licença, não agradecem, olham para o semelhante com olhar de ódio e tals. Às vezes me dou o flagrante desta estupidez. Pratiquemos o "Gentileza gera Gentileza". Bem lembrado. Tenho um adesivo desse no meu carro.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Angústia



O silêncio e desprezo
angustiam.
Recuso o desamor
Que a depressão causa.
Nosso calor condensando,
Evaporando com o nada
Já não me faz anoitecer
Sob a penumbra da aura.
Emudeceram sua voz,
Ensurdeceram minha audição.
Suas letras não leio mais.
Diga-me...
Em qual estrela
Escondeu o nosso Anjo?


terça-feira, 14 de agosto de 2012

Entrou no breu o céu de Manacá.
Que mal te fez a Flor?
Se a dor te fez ferida
Da ida, não se volta mais.



segunda-feira, 13 de agosto de 2012


Do Muito e do Pouco

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

Oswaldo Montenegro - Zé Ramalho

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


TATUAGEM 

Não há força na minha fraqueza.
Nas incertezas, dos dias não sei.
Vou perambulando e perguntando
À hora cega
Na certa, qual a marca
Que um dia a dor suportou,
Qual o sangue
Que um dia jorrou...
Borrou a nossa covarde coragem
Renascendo
Em forma de uma tatuagem.


(Ilustração: Bruno Borges)

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


Poema para Janaína


Dançam os pés da bailarina.
O corpo flutua
no éter da existência.
As mãos repousam
no veludo das rosas.
Ouve, bailarina,
o lamento da cotovia.
Rodopia, rodopia...
voltou a cantar
a triste cotovia.

sábado, 4 de agosto de 2012

Uma coisa que EU nunca mais permitirei na minha vida; que o passado interfira no meu presente; que o meu presente não se iluda pelas promessas do passado. 'ô presente, o passado não está nem aí pra você. Acorda!'. 
Como farei para viver o presente se eu sempre me dediquei ao passado?





quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Para onde vai o amor quando ele morre? Será que volta a ser uma semente, enfiando-se em novas e aradas terras? Talvez. Assim, rego para que floresça uma nova Flor de Manacá.



quarta-feira, 1 de agosto de 2012


Vem o temporal

Grita, ò Temporal
Seu dia chegou
Balança, ò Vendaval
As roupas
Esquecidas no varal.
Brinque, ò flores
Que agora vos batizo
Com essas pedras de granizo.

Acróstico para Sofia S
Se é sapeca esta boneca,
Os olhos não negam.
Fita virou em flor
Instigou tanto a tal moleca
Até que a caipira dançou.